
http://colunas.gnt.globo.com/pinkpunk/2010/01/07/2010-pra-comecar/
MARIA TOMASELLI – O LIVRO
Ficou pronto o livro MARIA TOMASELLI
Abaixo o texto da introdução e fotos do livro


Maria Tomaselli era o meu ídolo quando eu estudava artes plásticas em Porto Alegre no começo dos anos 90. Nem sei se ela sabe disso. Para meu espírito adolescente ela era uma artista de verdade que, claramente, só podia estar fora da academia; alguém que habitava um lugar especial diferente do meu. Já na faculdade a decepção com o campo das artes se fortalecia na contramão de meu interesse por filosofia. No meu mestrado tornei-me aluna de Carlos Cirne Lima, marido de Maria Tomaselli que os leitores podem ver nas fotos . Lembro de ter visto Maria pela primeira vez em um lançamento de livro do meu querido professor, e depois mais de perto quando já entrando no doutorado fui à sua casa chorar umas pitangas acadêmicas no ombro do mestre. Por sorte, ela estava lá, mas o assunto era uma chatice minha. Desde o começo devíamos ter falado dela, mas eu era muito tímida e preferi ficar na minha. Por isso, esse livro, hoje, é pra mim, a chance de recuperar o tempo de um bom assunto perdido.

Depois me tornei colega do meu próprio professor Cirne Lima e , por acaso, acabei reencontrando Maria Tomaselli que, generosamente, tentou ajudar-me com algumas questões visuais que tinham se tornando sérias na universidade. Como o assunto era agora só o universo visual, acabei me aproximando de sua obra e nunca mais a soltei. Uma coisa que a Maria faz com todo mundo é convidar pra fazer gravura. Fiz gravura com ela, tanto metal quanto litografia no Museu do Trabalho. Cheguei a tentar pintar, mas não era a minha praia. Faz parte de sua generosidade chamar todo mundo a pôr a mão na massa , coisa que ela faz movendo quem estiver por perto sem distinção de raça, sexo, religião ou talento. Como artista que é, estas categorias não lhe dizem nada. Eu, desde que a conheço, vou atrás porque ela é muito divertida. A vida fica bonita com ela por perto.
Além disso, eu me sentia menos perdida com as minhas artes que tinham sumido por baixo da minha vocação filosófica. O fato de que sua formação acadêmica seja filosofia, também me fazia pensar na escolha de cada um sobre a própria vida. Identifiquei-me.

Acho que ela nem sonha saber como ela foi importante nesta época. Eu vivia algo que chamei por muito tempo de “crise do traço”. Eu gostava mesmo era de desenhar e achava que desenhava errado. Baita insegurança infantil como o desenho é na vida de cada artista. Ela foi tão tranqüila ao dizer que “mas este é o teu jeito de desenhar!” que, vendo o que eu não via, valeu por uns 10 anos de análise.
Segui olhando, ouvindo, lendo, acompanhando o impressionante modo de criar e de ser de Maria Tomaselli. Ao longo destes anos ela me deu todas as provas de amizade possíveis. Aprendi observando-a que a alegria sempre vale mais.
Assim, tenho-a como uma amiga no sentido mais profundo do termo, de uma admiração sem escolha e que, se pudesse, eu teria, é claro, escolhido!

Daí, resolvi em 2005 fazer este livro antes que outra pessoa tivesse a mesma idéia. Na época eu não sabia muito bem o que isso significava em termos práticos. A elaboração vem acontecendo no tempo do sonho, desde 2006. Regina Rosa, minha amiga, apresentou-me a Denise Mattar que trouxe sua experiência valiosíssima. Juntas, chegamos a esta realização que vai além do sonho.
Desejo que Maria Tomaselli fique alegre com o retrato que pudemos fazer dela. Que quem a conhece se regozije com a montagem e que os demais aproveitem a novidade.

12 dezembro, 2009 as 15:00
Marcia, acho que a Maria é para você o que você é para mim. E não entendi sobre a parte dos teus desenhos, pq para mim você desenha com a delicadeza mais bonita desse mundo. Só não sei se um dia vou conseguir fazer um livro-retrato tão bem quanto fizeste.
Um beijo.
12 dezembro, 2009 as 16:00
Tão importante as escolhas, as pessoas q ajudam na travessia. Que fazem mesmo a diferença!!!Mais incrível e o reconhecimento, essa delicadeza em forma de lvro. Lindo.
Bjs
12 dezembro, 2009 as 16:46
Lindas gravuras! E pela sua descrição, parece ser uma artista consagrada mesmo!
Aliás, tudo aquilo que nos inspira e nos traz à tona toda a nossa sensibilidade se torna algo sempre especial e único em nossas, vidas não?!
Bem, vou procurar mais sobre essa artista Maria Tomazelli, pois se tem algo que sempre disperta meu interesse, além filosofia, sem dúvida é arte!
Um grande beijo e fico imensamente feliz por você compartilhar suas experiências profissionais conosco!
12 dezembro, 2009 as 17:39
Marcia, que maravilha! Que livro lindo!
Alegrar-se com o sonho tem esse resultado. Ser considerada tua amiga é alimentar o sonho.
Parabéns! Três livros lançados em um ano é prova da tua tenacidade.
12 dezembro, 2009 as 21:00
Que lindo, Marcia!
Você bem que falou que seria uma surpresa…
Cada vez te admiro mais e mais…
Estou ansiosa pelo lançamento!
Beijos e muito sucesso,
Vera
12 dezembro, 2009 as 21:13
O LIVRO DE MARIA T.
Pelo espelho
quem vê
pela visão
livro
foco
as cores
ferramentas
oratório da beleza
pelo livro
vida e arte
pelo foco
sutileza
percepção
mostra de tons
pelas cores
oficina itinerante
gestos precisos
suor e noite
pelas ferramentas
risco
pelo livro-oratório
a beleza.
(12 dez 2009)
13 dezembro, 2009 as 12:48
vc é linda demais…!
14 dezembro, 2009 as 20:54
Primeiro homem a comentar!!!!
Fã de carteirinha!
Sempre no Saia Justa,
e por aqui no blog.
Parabéns pelo livro,
pelas ideias, pelas conviccões,
por tudo!
15 dezembro, 2009 as 12:05
Segundo homem a comentar aqui. rsrs (aproveitando o embalo do nosso colega @Rudolf.
Srtª Tiburi,
Quero mostrar nesse simples comentário o quanto eu gosto e lhe adimiro de coração. Confesso que sinto muito a sua falta na Revista Simples, desculpe-me a ignorância a cerca de sua ausência no mesmo, e gostaria de perguntar-te se você irá voltar a escrever para ela.
No mais, continuo visitando o seu blog e lhe apreciando de longe.
Ah! Também poderías fazer um twitter seu, para que seus fãs sintam-se mais próximos de ti.
Obrigado por tudo!
Abraços cordiais.
15 dezembro, 2009 as 19:39
Queridíssima,
Bem se vê que carinho e respeito podem virar uma corrente… O “mas este é o teu jeito de desenhar!” que ela te disse transformou-se em uma espécie de “cada um tem seu próprio método” que me disse você, na minha qualificação. E vendo o que eu não via, afogada que estava na indelicadeza, você me poupou muitos anos de tristeza e mágoa. Firmei o passo e não mais me esqueci de mim. Você é grande, Tiburi.
Um abração,
Flavinha.