05.02.2010 Mágica da Semelhança
 Esta é a última semana para visitar a exposição Maria Tomaselli - Mágica da Semelhança, que está no Museu de Arte do Rio Grande do Sul desde meados de dezembro passado. A mostra é uma panorâmica da trajetória da artista – nascida em Innsbruck, na Áustria, em 1941, e radicada no Brasil desde 1965 – depois de mais de três anos sem expor na capital gaúcha. Reunindo 46 anos de produção, a exposição tem curadoria de Denise Mattar e reúne cerca de 60 desenhos, aquarelas, gravuras, pinturas, esculturas e objetos.
Paralelamente à abertura, foi lançado o livro homônimo, organizado pela curadora junto da escritora e filósofa Márcia Tiburi. Com 272 páginas, o livro faz um passeio pela obra de Maria Tomaselli, com textos de Eduardo Veras, Claudia Valladão de Mattos, Gunter Axt, entre outros. Na conversa abaixo, a artista fala sobre a publicação, a mostra e seu trabalho.
Depois de alguns anos sem expor em Porto Alegre, como se estruturou esta mostra no MARGS? No aguardo do livro, que custou um pouco para sair, não expus mais. Então, esta é uma panorâmica que acompanha a publicação – é uma espécie de ilustração do livro ao vivo e a cores. A Márcia Tiburi teve a ideia de fazê-lo, e convidou duas pessoas para destrincharem meu trabalho: Cláudia Mattos e Denise Mattar. Eu abri meus guardados, minhas gavetas e meu coração para elas, e elas escolheram facetas de tudo isso, que foram expostas. São visões particulares de duas pessoas, sensibilidades individuais, e não um trabalho tipo catálogoraisonné.
A mostra reúne desenhos, aquarelas, gravuras, pinturas, esculturas, objetos... Como a senhora trabalha com estes diversos meios? De que forma sua poética pessoal se expressa em cada um deles? Cada técnica deixa lacunas, questões em aberto, aponta para outros possíveis desdobramentos. Cada técnica tem em si a história da arte, as coisas já feitas por outros. Cada gesto, cada cor traz uma faísca de lembrança de algum artista - já pertencente à história ou ainda vivo. Estamos numa rede. As coisas se interligam, e as técnicas também. Como nenhuma delas e nenhum material basta a si mesmo, e transpõe as emoções e as ideias a contento, pela própria finitude desse nosso mundo imperfeito, procuramos nos expressar de maneira diversificada. Os objetos tem suas armadilhas, a gente tenta driblar, mas são essas imperfeições que impulsionam e levam a novas descobertas.
Na exposição há também uma grande tela na qual, por meio de uma reprodução, as pessoas podem mexer e reorganizar as partes. Como a senhora vê esta ideia de "interatividade", de troca real e física com o espectador, relacionada à pintura e à arte em geral? Fiz um tríptico intercambiável, mas se as pessoas não pudessem mexer com ele, não teriam ideia de que se trata. Portanto, foi o cenógrafo da exposição, Guilherme Isnard, que teve a ideia de usar as mantas magnéticas em uma reprodução. Eu gosto de oferecer várias perspectivas para uma imagem. Iberê Camargo, para avaliar uma pintura sua, se abaixava e a olhava de costas, por entre as pernas, e só então ele a via no seu verso. É sempre o verso que mostra o equilíbrio da imagem, porque o olho reto e plano vicia.
Um dos textos do livro, escrito por Eduardo Nasi, fala sobre suas Ocas, e a relação delas com conceitos super atuais de Internet, tecnologia, convergência, redes sociais. Qual é a sua relação com este universo? Na feitura do CD-ROM Dialética para todos, de Carlos Cirne Lima[lançado em 2005, apresenta a história da filosofia voltada para o público juvenil e para projetos educacionais], trabalhei com ases da informática e da animação - Alípio Lippstein (programação), Mauricio N. Santos (animação) e Carlos Dohrn (música) - e mergulhei fundo neste universo. Mas eu já os conhecia, porque eu estava interessada nos primórdios da internet: fiz vários cursos no Senac, inclusive o primeiro para fazer sites - naquela época, "no muque", programando. E o Maurício foi meu professor de animação. A tecnologia me fascina.
Imagens: Divulgação, Egon Kroeff e Paulo Brochado |
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